setembro 07, 2004
Podem chamar-lhe Ferreira Fernandes.
Tenho por bom costume nunca ler o “Correio da Manhã”. Faz parte da minha boa educação e espero continuar fiel a este princípio.
Mas ontem, por um infeliz acaso, quando dei por mim tinha-lhe aberto a primeira página. Que me atirem a primeira pedra.
Continha um artigo de opinião, que me dei ao trabalho de ler até ao final porque o assunto era quente - o sequestro na escola de Beslan. Nem sei se é habitual esta rúbrica ser escrita por este senhor Ferreira Fernandes (e faço questão de não o descobrir), e que tinha por título “O NOME AOS BOIS”, que passo a reproduzir dois excertos:
“Aconteceu em Beslan, mas podia ser em Lisboa - não tem particularidade de lugar. Foi praticado por eslavos, negros e árabes - não tem exclusividade de raças. Mas tem uma identidade: é terrorismo islâmico. (...) Os terroristas islâmicos são pela sua definição canalhas e não têm qualquer salvação. Mas os islâmicos em geral têm interesse em interrogar-se porque razão é que Beslan é uma acção do terrorismo islâmico e, no mundo de hoje, não podia ser outra coisa. Pois eu aponto uma explicação: “Torres Gémeas? Horrível, mas a Palestina...” e “Beslan? Horrível, mas a Tchetchénia...” - são frases cúmplices dos terroristas.
Isso e a cobardia ocidental de não dar o nome aos bois, com medo que os cúmplices se tornem também terroristas.”
Chamemos-lhe então Ferreira Fernandes.
setembro 7, 2004 06:35 PM
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Partilho do teu bom hábito;)... realmente aquele jornal faz-me rever as minhas posições sobre os métodos de tortura e a liberdade de imprensa...fico quase medieval quando medito seriamente...
E não gosto do belo do "Correio da Manhã" exactamente por cenas tão lamentáveis quanto essa coluna de opinião... espanta-me como ainda deste a beneçe da dúvida e leste uma coluna com esse título(acho que eu faria o mesmo, mas tenho sempre a impressão que os outros não adoptam comportamentos semelhantes...)_curti mil o título do post!
Gosto do blog,(encontrei-o na lista das aquisições recentes da base de dados da pt bloggers), foi uma agradável surpresa.
muito bom!
1)Escrevi, de facto, os excertos citados.
2)Três dias depois, o "New York Times", uma espécie de "Correio da Manhã" de Manhattan, publicou um texto sobre reputados jornalistas muçulmanos. E citava um destes, Abdel Rahman al-Rasched, que, no jornal pan-árabe de Beirute "Al Sharq al Awsat, escreveu: "É certo que nem todos os muçulmanos são terroristas, mas é igualmente certo, e excepcionalmente doloroso, que quase todos os terroristas são muçulmanos". E escreveu também: "A maioria dos responsáveis dos suicídios-bomba contra autocarros, automóveis, escolas, casas e edifícios, por todo o Mundo, são muçulmanos. Que recorde patético. Que abominável 'feito'. Isso não nos dirá alguma coisa sobre nós próprios, sobre as nossas sociedades e a nossa cultura?"
(Estes textos foram também comentados por Miguel Sousa Tavares, no "Público", outra espécie de "Correio da Manhã").
3) Você diz, com desprezo, que não lê o "Correio da Manhã". Receio que não leia jornal algum. Se lesse, saberia que a palavra "rubrica" se escreve assim e não da forma como o faz.
4) Mesmo que eu estivesse errado no que escrevi, tenho um mérito: assino as minhas opiniões. Você não. Escreve e fico a saber que é um ignorante presunçoso mas sem saber qual a sua identidade.
5) E a identidade - ensino-lhe de borla, seu ignorante presunçoso - é condição necessária para se ter opinião.
Elááá, Sr Ferreira Fernandes!
O senhor sabia que quando se damos ao mundo a nossa opinião, corremos o risco de suscitar opiniões contrárias, ou nunca lhe tinha passado isso pela cabeça? Ou simplesmente elas nunca lhe tinham chegado aos ouvidos?
É assim a evolução das tecnologias, permitem estas coisas extraordinárias: agora qualquer pessoa pode dar a sua opinião ao mundo e é bom que os poucos que estavam habituados a fazê-lo (e depois a ter eventualmente umas lutazinhas herméticas entre si e apenas entre alguns), comecem a pensar muito bem naquilo que escrevem. E se estão absolutamente confiantes no que publicam, não precisam de se mostrar tão atacados!
Quanto aos erros ortográficos, por favor, senhor Ferreira, mostre um pouco mais de maturidade. Esse tipo de ataque é típico daqueles a quem se esgotaram os argumentos.
Quanto à identidade, são estas as regras: um blog é um blog não é um jornal, tem a sua esfera de actução e é sem dúvida uma poderosa forma de comunicação. Além disso, funciona como os seus fundadores decidem: com ou sem a identificação dos intervinientes.
Eu pela parte que me toca, gosto mais assim. Até porque nem tenho a mínima curiosidade em saber que é o senhor. Isso é de facto um pormenor sem a mínima importãncia.
Atentamente Alertaivos
1) I-n-t-e-r-v-e-n-i-e-n-t-e-s, intervenientes, é assim que se escreve.
2) A questão não tem nada a ver com novas tecnologias. Sempre houve quem gostasse - em tempos antigos e, hélas, hoje - da opinião com véu.